Duhs, clichês e blablabla

Quando dizer o que queremos?

Publicado por: Cau em: Maio 19, 2008

Eu tenho um problema. E nem depende do grau de intimidade que eu tenho com a pessoa. Acontece nas horas mais difíceis. Ou torna certas horas mais difíceis do que deveriam ser. Vem, geralmente, após/durante discussões.

É uma sensação de coisas entaladas na garganta. Na minha cabeça elas soam brilhantes, coerentes e em frases muito bem arquitetadas. Quando chega a hora de tornar o abstrato em voz, porém, sai tudo uma merda. Estava pensando naquilo há um tempão para, no fim, falar um monte de abobrinhas sem sentido. Algumas com sentido. Mas nunca lindas e impactantes como estavam na minha cabeça. E quando simplesmente não sai nada? Pensei no diálogo da minha vida e acabei não dizendo uma palavra? Covarde, não? Ou sensato?

Algumas pessoas não entendem quando nos pressionam numa conversa e ficamos calados. Ficam com raiva. Acham que não queremos falar. Ou muito pior, que não temos o que falar. O que automaticamente me faz parecer errada. Mas não. Só estou guardando meu ‘discurso’ para mais tarde. Quero estar equilibrada. Não quero misturar raiva, nem lágrimas. Só estou adiando um pouquinho, pra não vomitar meias frases. Mas às vezes, não sai nunca. De tanto adiar, esqueço minhas frases bem construídas. O que era naquele dia, já não é mais hoje. O que eu ia dizer, já parece dramático, exagerado, no contexto atual. Já não cabe mais puxar o assunto. E assim eu engulo um tópico mal-resolvido.

Por isso escrevo cartas. E-mails. Livros. Cadernos. Blogs.

No papel sempre sai mais bonito. Flui. Sai como eu quero. Escrever é minha terapia. Mesmo que eu não escreva sobre o mal-resolvido em si, é como se eu dividisse o peso de alguma coisa incômoda. Qualquer coisa. Meu blog se tornou um amigo extra. E a cada dia me traz outros novos. Não é ciumento. É só eu apertar ‘publicar’. Ele transforma meus pensamentos emaranhados num visual ainda mais bonito do que estava na minha cabeça. Ainda que meu template não seja dos melhores. Muito superior a transformar em voz, não? Às vezes você não pode me ouvir, determinada hora. Aqui meu desabafo espera você vir.

Eu gostaria que todas as pessoas que eu amo tivessem um blog. Mesmo ausente em carne e osso, eu acompanharia cada detalhe, cada felicidade e cada problema.

Tenho pena de quem não respeita esse tipo de liberdade de expressão e banaliza. Deve, no mínimo, ter mil sapos na barriga.

xoxo, Cau.

13 Respostas para "Quando dizer o que queremos?"

Tudo sai mesmo sempre mais bonito no papel (ou na tela do computador hehehe)!
Nossa, é tão mais fácil escrever o que a gente tá pensando do que falar, não é?
Algumas pessoas não entendem isso também, quando eu não consigo falar o que eu penso, ou simplesmente dizer o que tá me incomodando. Mas a maioria já aprendeu que depois eu mando um email explicando tudo.
Sei lá, sou meio travada pra falar, mesmo que tenha várias coisas na minha cabeça pra dizer. Seja pra brigar, seja pra desabafar, ou até pra dar minha opinião sobre alguma coisa.
Escrever is so much better… :P

Bjsss

No papel minhas idéias também fluem com mais facilidade. Às vezes tenho dificuldade de me expressar oralmente de forma clara para as pessoas. Chego a filosofar muito, viajar e complicar o que há de mais simples. Porque nem tudo é tão simples como se imagina. Ao escrever, acho que consigo mostrar o que realmente quero. Entende?

Blogs são demais. Pena que nem todo mundo sabe usá-los de forma realmente útil e interessante. É por isso que procuro ser fiel aos meus “favoritos”. Porque encontrar coisas úteis nesse virtual é meio difícil. Nem tanto, mas consideravelmente.

Bjoss!!

Comigo também é assim. Faço e refaço as frases, penso em tudo, e na hora não sai. Ou sai tudo errado. Ou então eu penso: “devia ter dito isso e aquilo, que droga!”. É uma coisa horrível, sensação mesmo de ter um nó bem no comecinho do estômago.
Eu quase nunca escrevo muitas coisas em papel, é mais desenho mesmo. Mas quando dá vontade, às vezes faço um rascunho de mensagem no celular (lá se vão meus dedos!), ou abro o bloco de notas e mando ver. E depois fecho sem salvar, é claro, a não ser que o conteúdo em questão tenha sido um projeto de texto. Do contrário, hello lixeira!
Blog é bom mesmo, tanto pra descontrair um pouco quanto pra soltar aquelas palavras que ficaram presas antes e que não saíam. Seria bom se aquela tal pessoa que tem que ouvir poucas e boas tivesse um blog na hora do desabafo, ou que a pessoa que a gente sente saudade tivesse um blog pra manter contato… Mas sem esquecer que, como disse o Marcos, blog é bom sim, mas tem que ter bom senso e usar de forma útil e interessante. E o seu definitivamente se enquadra nisso.

Assino embaixo, Cau. Todos deviam ter blogs (ainda que, em texto, algumas pessoas pareçam bem mais bobas ou interessantes do que realmente são, mas essa é outra história).

Gosto do teu ponto de vista :)
Concordo e coisa e tal, apesar de quase não postar no meu blog haha
Beijo!

Poxa, eu odeio esses smiles do wordpress.

Cara, você tem toda razão. Sinto a mesma coisa quando escrevo em meu blog, é um alívio. Eu também , quando penso muito no que falar , acabo não falando nada coerente , talvez seja o nervosismo.

Uma coisa que realmente me irrita é quem pega o que a gente escreve , e muda o contexto , parecendo ridículo.

beijo

Escrever também é minha válvula de escape, me ajuda a desabafar, a me distrair e até a me levar menos a sério, ver graça nas coisas!
Tou adorando ter blog de novo, espero que tanto o meu quanto o seu continuem a nós satisfazer!
;*

tem meme pra vc la no ddi! :)

eu também me expresso muito melhor escrevendo. lembro, aliás, de assumir isso em uma sessão de psicoterapia em grupo… há não muito tempo atrás.
também acho que escrever é a melhor terapia. por isso, ainda mantenho blogs por aí.

beijo

Oi!
Achei teu blog lá na Blogueiros Fracassados… gostei bastante do post e da maneira como escreves. Identifico-me muito com isso também… Às vezes, é preferível a omissão à experssão, quanto à palavra falada. Ms sempre podem ficar resquícios que nos prejudicam… para tentar saná-los, a palavra escrita e seus diversos “locais”.

Beijo!

Enquanto nem todas as pessoas que você conhece têm blog, conheça as pessoas que têm! ^^
Não é uma boa idéia?
Beijos!

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